Que bosta hein...
Nesse domingo depois de reler o livro de Kurt Vonnegut “Café-da-manhã com os campeões”,acompanhei o filme “Intrigas do Estado”,por sinal um dos melhores filmes jornalísticos que já vi, para fazer uma prova semestral na faculdade.Estrelado pelo cara que é o eterno “Gladiador” Russel Crowe, o homem dos músculos e olhar sedutor, seguido pelo eterno galã Ben Affleck, sonho de qualquer mulher em sã consciência.A questão central do filme me fez perder a direção a seguir em meus deveres, pois ele discute os desafios do jornalismo nos últimos anos. Não é a toa que foi indicado pelo meu professor de Novas Mídias Felipe Harmata Marinho – que não deixa de ser uma tentação.
Na verdade a maioria dos filmes que retratam fatos jornalísticos mostram uma espécie de jornalista louco pela verdade custe o que custar.É inevitável,mas isto me fez comparar com as chatas e deprimentes modos de fazer jornalismo no Brasil.Formalidades que recebem mais importância do que a linguagem e a forma que essas noticias devem ser comunicadas.
Falam de assuntos mórbidos com uma frieza estrema como se eles não influenciassem em nada a nossas vidas, e muitas vezes dão ênfase a aquilo que é de interesse da emissora e não ao público.Pensando desta forma podemos concluir que a credibilidade passa a ser o veiculo de comunicação e a audiência que ele acarreta como se fosse uma herança de pai para filho.Por muitas vezes só enche de lingüiça o telespectador com noticias pouco relevantes e deixam de comunicar claramente as que interferem no bolso e na vida do cidadão que fica com a bunda sentada no sofá engolindo aquele monte de babogeiras.
Traduzindo, a verdade é dita entre linhas e não diretamente ao telespectador, para que o publico possa tirar suas próprias conclusões. Não digo que esteja errado, mas defendo a tese de que devem ser utilizados termos como absurdo,hipócrita, sanguinário,bom e mal.Mostrar que a crise é ruim para estes ou aqueles setores,dizer que a gripe suína matou x pessoas não é sensacionalismo mas realidade. Lembremos da santa frase do telejornalismo brasileiro dita pelo gênio Boris Casoy que de maneirA simples, direta e sem meias palavras resumi sua indignação perante algo.“Isto é uma vergonha”. Há algum tempo - penso que na mesma linha de raciocínio - fiquei espantada quando ouvi o William Bonner, durante o “Jornal Nacional”,usar o termo inaceitável em uma matéria sobre corrupção.Parece meus bons blogueiros que nem tudo está perdido.
Não estou querendo dizer que o âncora do telejornal deve utilizar termos pejorativos, acusar algo ou usar de certas palavras sem ter certeza dos fatos.O quero dizer é que o povo não tem mais tempo para comprar jornal e ler no ônibus.O povo não sabe quem é Gilmar Mendes,não sabe nem quem é o banqueiro Dantas e muito menos no que eles influenciam nas nossas vidas.E de quem é o erro.... Da necessidade poderia dizer.Na ditadura militar nossos pais sabiam e fingiam que não acontecia nada no país devido aos riscos que corriam.Tinham a consciência que o “chão era minado”.Sabiam da restrição da mídia e as regras a seguir para se manterem vivos. NECESSIDADE e SOBREVIVENCIA andavam juntas.
Hoje eles, seus filhos, netos não se importam tanto com isso, a tecnologia de certa forma ajuda a manter suas mentes ocupadas para certos assuntos como a política. Eu também não sei muito sobre o tema,mas muitos não querem nem saber,não cobram das autoridades e nem se despertam para o assunto.Acho um absurdo a forma como o povo se aglutina em eleições,verdadeiros clãs que lutam para conquistar o maior numero de pessoas para fazer campanhas segurando bandeiras em beiras de estradas e distribuir santinhos pelas ruas em troca de r$30 reais ou menos ao dia.Sequer conhecem o político ou suas propostas.Votam em troca do trabalho que receberam durante os 3 meses de vergonha quer dizer eleição.Isto meus caros, em algumas décadas atrás se chamava CURRAL mas hoje adota o nome de DEMOCRACIA.
Ah,se os gregos que criaram a democracia nos vissem hoje,estaríamos muertos,diriam que acabamos com o espírito de consciência e liberdade de expressão das diversas camadas da sociedade.Pois, as camadas de cima pisam nas debaixo.Desculpe gregos,troianos entre outros.Que Zeus os consolem e o monte Olimpo os dê o devido abrigo!Cara estamos pior que argentinos em época de copa!
Diariamente estamos a mercê desta eterna concorrência entre emissoras na busca dos furos de reportagens, mas o que vem ocorrendo nos últimos anos é a falta de ética e respeito ao telespectador e ao oficio do jornalismo. Emissoras que utilizam de suas “arenas” para difamar suas “adversárias” em pleno horário nobre com investigações, baxarias, denuncias, baixo profissionalismo e dignidade.Verdades devem ser ditas, é o lema da nossa profissão,mas saber como usar as informações e conduzi-las aos telespectadores é função deste tubinho de plasma.Mas para este tipo de reportagem elas sabem muito bem como repassar a informação sem deixar o publico em duvida.
Eu gostaria de pensar que estou exagerando um pouco,pois há muitos canais abertos de extremo aprendizado cultural,mas é mentira.Você agüenta ver o Sivio Santos o domingo inteiro junto com um bando de artistas ultrapassados sendo aplaudidos por um bando velhinhas que querm ter uma dentadura igual a dele e ganhar na telesena....E durante a semana assistir Hebe Camargo e ver novamente as mesmas novelas mexicanas...
Quem sabe acompanhar a briga entre Fantástico e Domingo Espetacular, a Ana Maria x Ana Hickman, a Fazenda x Big Brother, Novelas bestas x sem noção nenhuma, Zorra Total x Show do Tom, Familia Marinho x Bispo Macedo Crivela, Verba governamental x Assembléia de Deus.Bem as opções são muitas e variadas,sem vocÇe não curtir numa na outra você terá a mesma coisa!
Não é a toa que em alguns casos a população está mais preocupada com a previsão do tempo e com o esporte, isto pode explicar o horário especifico de que esses ------ tem dentro do telejornal. Minha mãe neste sábado disse:”São 20:35 tá na hora da previsão do tempo”,ou seja pra muitos o restante das informações não importam.Não é porque o povo é burro,mas porque a linguagem é cansativa.
Não estou dizendo que devemos colocar um palhaço a frente das câmeras para dizer alegramente e burramente ao publico que o deputado do Acre foi casado, mas dizer o quem ele é,pra que serve e por DEUS no que isso vai interferir na realidade do peão de obra,da dona de casa, do cabra do nordeste ou no bêbado da esquina.Gente isso é questão de acostumar o povo,é incentivar e adotar uma nova cultura. Isto não é loucura é realidade. Já ouviu falar de C.Q.C... então, embora seja praticamente um programa humorístico, o povo aprendeu a conhecer seus políticos, a denunciar e principalmente a se manter informado daquilo que parecia ser chato e sem importância.É a maneira que se dá a noticia que irá mostrar o interesse da população.
Pode ser que amanhã, quando começar a exercer a profissão, eu possa mudar de opinião ou até aprimorar minhas objeções, mas uma coisa não muda: Não é a falta de informação mas o excesso e a forma de que é dada é o que prejudica na sua interpretação.


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